Os eixos que compõem o plano de recuperação do estado Rio de Janeiro foram apresentados na manhã desta sexta-feira (28), pelo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão ao prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, em reunião realizada na Prefeitura da cidade. O plano é uma ação interministerial criada para assegurar auxílio ao estado por meio de três eixos: gestão financeira, segurança pública e geração de emprego e renda. A iniciativa envolverá os ministérios da Cultura, do Desenvolvimentos Social, do Ministério do Turismo e do Ministério dos Esportes. O ministro da Cultura assumiu a responsabilidade de levar à prefeitura algumas ideias que poderão fazer parte desse auxílio federal ao Rio de Janeiro.
De acordo com o ministro, o MinC estará diretamente empenhando em contribuir com a geração de emprego e renda por meio do fomento às atividades culturais. "A crise financeira do estado do Rio reflete fortemente na capital carioca. Por esta razão, o presidente Michel Temer, logo que assumi o Ministério, pedi que déssemos atenção especial às ações que possam contribuir para a retomada do crescimento do estado e da cidade do Rio de Janeiro. O eixo de emprego e renda é justamente o que nos permitirá construir o futuro. Nesse sentido, a economia da cultura, além de reforçar identidades ,é fundamental para o êxito dos esforços empreendidos no processo de recuperação do Rio".
A contribuição do Ministério da Cultura ao Calendário Rio de Janeiro a janeiro - projeto elaborado pelo Conselho de Turismo do Rio com o objetivo de ampliar o potencial turistíco - também foi discutida pelo ministro. "A valorização da economia criativa é uma bandeira antiga minha. As atividades ligadas ao setor provocam um impacto imenso. Atualmente a cultura já representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e responde por 2,7% dos empregos do estado do Rio de Janeiro. Não resta dúvida de que o MinC poderá fortalecer ainda mais os eventos do calendário", afirmou.
A proposta do calendário será apresentada,nesta segunda-feira (31) pelos integrantes do Conselho de Turismo, Ricardo Amaral e Marcelo Alves, durante uma reunião que será realizada com o ministros, Sérgio Sá Leitão e Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência da República. "O planejamento do eventos do Calendário Rio de Janeiro a Janeiro nos permitirá identificar de que forma o governo federal, seja com leis de incentivo ou recursos do Tesouro, pode ajudar na execução desse projeto", declarou.
Carnaval
A ajuda do governo federal para a realização do carnaval em 2018 também outro tema debatido no encontro. Para Sérgio Sá, o levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas neste ano aponta que, no período do carnaval, o Rio de Janeiro recebe um milhão de turistas, que movimentam R$ 3 bilhões na economia da cidade. "Para ter esses R$ 3 bilhões acrescidos à dinâmica econmica da cidade, é necessário que haja a complementação os R$ 26 milhões que faltam para a cobertura dos custos do carnaval, com valor total estimado em R$ 150 milhões".
Na avaliação do ministro, o Carnaval deve ser celebrado não apenas pela dimensão da festa, que por si só já é muito importante, mas também pelo significativo aumento no número de empregos e na renda gerados."Estamos sintonizados com os esforços que estão sendo feitos para assegurar a complementação desses recursos", completou.
O presidente da RioTur, Marcelo Alves, chamou atenção para o fato de o carnaval carioca não estar restrito apenas aos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. "O carnaval de rua, dos já tradicionais blocos,leva 6 milhões de pessoas a diversos bairros da cidade do Rio. Alguns blocos reúnem de 500 a 800 mil pessoas em um único evento. Estamos tratando o carnaval como um grande pacote".
Museus e ações do Iphan
Ao lado da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, o ministro discutiu a concretização de uma parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro para viabilizar a criação do Museu da Escravidão e da Liberdade, em memória dos milhares de negros escravizados que chegaram ao Brasil no período da escravidão pelo Cais do Valongo. O museu, que deverá ser desenvolvido no atual prédio onde funciona a ONG Ação Cidadania, na Zona Portuária do Rio, ainda depende da desocupação do local. "A reunião que aconteceu no início deste mês, na Cracóvia (Polônia) e declarou o Cais do Valongo como Patrimônio Mundial, foi uma das mais emocionantes. Nenhum país havia apresentado uma candidatura com o tema da escravidão. Essa conquista representou um grande feito para o Brasil, o que só aumenta nossa responsabilidade", ponderou Kátia.
Sérgio Sá afirmou que o compromisso do Ministério da Cultura é viabilizar o museu. "Gostaria que o MInC e a prefeitura trabalhassem juntas para garantir uma solução consensual sobre a desapropriação do prédio, bem como a realocação da ONG. A Prefeitura e o governo federal assumiram a missão de preservar a memória do Valongo, cabe a nós buscarmos uma solução", defendeu.
Dentre as pautas discutidas pelo ministro, que envolviam o Iphan, estava ainda a realocação do Museu Nacional do Folclore. Em um acordo feito com a gestão anterior da Prefeitura do Rio, o Iphan investiu recursos para transferir o museu da edícula do Museu da República, onde ele está alocado atualmente, para o prédio o Clube do Automóvel, localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro. O Museu Nacional do Folclore tem hoje a maior coleção de arte popular da América Latina.
"Esse é um acervo maravilhoso, que encontra-se, em sua maior parte, indisponível porque o espaço em que ele está é insuficiente. O projeto executivo feito pelo Iphan está pronto, mas precisa de ajustes pontuais". Pela proposta feita pelo ministro, a Prefeitura entraria com o imóvel, o Iphan com os recursos e o MinC com a gestão do espaço.
Kátia Bogéa elencou ainda as ações desenvolvidas pelo Iphan no Rio de Janeiro, por meio do PAC Cidades Históricas, como a reforma do Palácio Gustavo Capanema, as obras que estão sendo realizadas na Fundação Biblioteca Nacional - entidade vinculada ao MinC -, no Museu Nacional de Belas Artes, no Museu Histórico Nacional, no Museu da República. "Há um investimento grande do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro", completou Sérgio Sá.
Projetos de Audiovisual
O ministro sugeriu ao prefeito a adesão da Prefeitura ao programa Arranjos Regionais, da Agência Nacional de Cinema (Ancine), executado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. "Nesse programa há um co-investimento da agência em parceria com um ente local para o financiamento de projetos audiovisuais. O programa prevê o aporte de recursos em desenvolvimento ou produção de games, produtos voltados para web, filme, série de tevê, entre outros formatos. Somente para esse programa a Ancine dispõe de R$ 31 milhões disponíveis para investimentos".
O programa exige da Prefeitura uma contrapartida nos valores investido. Para cada real investido por parte da Ancine, seria aplicado a mesma quantia por parte da administração municipal.
Agenda oficial
A agenda no Rio de Janeiro é a primeira viagem oficial do ministro, que assumiu o cargo no último dia 25. Além da reunião com o prefeito Marcelo Crivella, o ministro visitou ainda a sede da Revista Veja no Rio de Janeiro.